Qualidade de Energia
Como um laudo de qualidade de energia ajuda a sua empresa a reduzir manutenção, paradas e queima de equipamentos
Um motor que queima antes do tempo. Um inversor que desarma sem explicação. Um transformador que esquenta mais do que deveria. Quando esses problemas se repetem, a tendência é tratar cada um como um caso isolado: troca-se a peça, religa-se a máquina e a produção segue, até a próxima vez.
Muitas vezes, porém, a causa é a mesma e está na própria energia que alimenta os equipamentos. O laudo de qualidade de energia é a ferramenta que identifica essa causa. Neste artigo, explicamos o que ele mede, quais são os principais distúrbios elétricos e como a correção certa reduz custos e aumenta a segurança da operação.
O que é qualidade de energia
Em uma instalação ideal, a energia chega com tensão estável, equilibrada entre as fases e com a forma de onda limpa. Na prática, isso nem sempre acontece. Equipamentos eletrônicos, inversores de frequência, máquinas de solda e grandes cargas ligando e desligando "sujam" a energia dentro da própria instalação.
Qualidade de energia é a medida de quanto a energia da sua instalação se afasta desse comportamento ideal, e de quanto isso afeta os seus equipamentos.
O que o laudo identifica
O laudo de qualidade de energia identifica os distúrbios presentes na instalação: quais são, em que intensidade, em que horários aparecem e de onde vêm. Com isso, deixa de ser preciso adivinhar a causa das queimas e dos desligamentos.
Esse diagnóstico é a base para a decisão certa. Sem ele, a empresa corre o risco de investir na solução errada, ou de continuar trocando peças sem resolver a origem do problema.
Os principais distúrbios elétricos
- Harmônicos: distorções na forma de onda causadas principalmente por cargas eletrônicas, como inversores de frequência, retificadores e fontes. Eles provocam aquecimento de motores, transformadores e cabos, e podem danificar capacitores.
- Desequilíbrio de tensão: quando as três fases não têm a mesma tensão. Motores alimentados com tensão desequilibrada aquecem mais e perdem vida útil.
- Afundamentos e elevações de tensão: quedas ou subidas rápidas da tensão, de curta duração. São uma das causas mais comuns de máquinas e inversores que desarmam "do nada".
- Flutuação de tensão: variações repetidas da tensão, que podem afetar equipamentos sensíveis e causar a cintilação da iluminação.
- Baixo fator de potência: excesso de energia reativa circulando na instalação. Além de sobrecarregar cabos e transformadores, gera a cobrança de energia reativa excedente na fatura.
Quanto esses distúrbios custam para a empresa
O custo da má qualidade de energia raramente aparece em uma única linha do orçamento. Ele se espalha:
- Manutenção corretiva mais frequente;
- Queima e troca antecipada de motores, inversores, capacitores e placas eletrônicas;
- Máquinas paradas por desligamentos inesperados, com perda de produção e retrabalho;
- Perdas de energia por aquecimento de cabos e transformadores;
- Cobranças na fatura, como a de energia reativa excedente.
Somados, esses custos costumam ser maiores do que parecem, justamente porque ninguém os soma.
Como é feita a medição
O estudo começa com a instalação de um analisador de qualidade de energia no ponto a ser avaliado, com a empresa funcionando normalmente. A medição dura 7 dias e reúne 1.008 leituras válidas, conforme os procedimentos do PRODIST Módulo 8, da ANEEL. Esse período cobre a rotina completa de uma semana, incluindo os horários de maior e menor carga.
Depois da medição, os dados são analisados e consolidados no laudo, que mostra os distúrbios encontrados, compara os resultados com as referências e indica as soluções.
A solução: filtros dimensionados para a sua instalação
Identificado o problema, a correção precisa ser dimensionada para a sua instalação, e não escolhida em catálogo. Dependendo dos distúrbios encontrados, a solução pode incluir:
- Filtros de harmônicos, dimensionados a partir da medição, para limpar a forma de onda e proteger os equipamentos;
- Banco de capacitores com reatores de dessintonia, que corrige o fator de potência sem amplificar os harmônicos existentes;
- Ajustes na instalação, como redistribuição de cargas entre fases e adequações de proteção.
O dimensionamento correto é o que garante o resultado. Um filtro mal dimensionado pode não resolver o problema, ou até criar outro.
O ganho vai além da economia: menos manutenção, menos máquinas paradas, menos queima de equipamentos e mais segurança operacional e dos processos da empresa.
Sinais de que a sua empresa precisa de um laudo
- Queima frequente de motores, inversores, capacitores ou placas eletrônicas;
- Máquinas que desarmam sem causa aparente;
- Transformadores, cabos ou painéis aquecendo além do normal;
- Cobrança de energia reativa excedente na fatura;
- Instalação de muitas cargas eletrônicas, como inversores de frequência;
- Ampliação da planta ou entrada de máquinas novas.
Perguntas frequentes
A empresa precisa parar para fazer a medição?
Não. A medição é feita com a empresa funcionando normalmente, justamente para registrar o comportamento real da instalação.
Por que a medição dura 7 dias?
Porque a rotina de uma empresa muda ao longo da semana. Medir 7 dias, com 1.008 leituras válidas, conforme o PRODIST Módulo 8, garante que o laudo represente a operação completa, incluindo os momentos de maior e menor carga.
Instalar um banco de capacitores resolve qualquer problema de energia?
Não. O banco de capacitores corrige o fator de potência, mas, em instalações com harmônicos, um banco comum pode piorar a situação. Por isso a medição vem antes da solução.
Máquinas parando ou equipamentos queimando?
Fale com a AFB. Medimos a sua instalação, identificamos a causa e dimensionamos a solução.
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