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Qualidade de Energia

Como um laudo de qualidade de energia ajuda a sua empresa a reduzir manutenção, paradas e queima de equipamentos

Arthur Felipe Brandão7 min de leitura

Um motor que queima antes do tempo. Um inversor que desarma sem explicação. Um transformador que esquenta mais do que deveria. Quando esses problemas se repetem, a tendência é tratar cada um como um caso isolado: troca-se a peça, religa-se a máquina e a produção segue, até a próxima vez.

Muitas vezes, porém, a causa é a mesma e está na própria energia que alimenta os equipamentos. O laudo de qualidade de energia é a ferramenta que identifica essa causa. Neste artigo, explicamos o que ele mede, quais são os principais distúrbios elétricos e como a correção certa reduz custos e aumenta a segurança da operação.

O que é qualidade de energia

Em uma instalação ideal, a energia chega com tensão estável, equilibrada entre as fases e com a forma de onda limpa. Na prática, isso nem sempre acontece. Equipamentos eletrônicos, inversores de frequência, máquinas de solda e grandes cargas ligando e desligando "sujam" a energia dentro da própria instalação.

Qualidade de energia é a medida de quanto a energia da sua instalação se afasta desse comportamento ideal, e de quanto isso afeta os seus equipamentos.

O que o laudo identifica

O laudo de qualidade de energia identifica os distúrbios presentes na instalação: quais são, em que intensidade, em que horários aparecem e de onde vêm. Com isso, deixa de ser preciso adivinhar a causa das queimas e dos desligamentos.

Esse diagnóstico é a base para a decisão certa. Sem ele, a empresa corre o risco de investir na solução errada, ou de continuar trocando peças sem resolver a origem do problema.

Os principais distúrbios elétricos

  • Harmônicos: distorções na forma de onda causadas principalmente por cargas eletrônicas, como inversores de frequência, retificadores e fontes. Eles provocam aquecimento de motores, transformadores e cabos, e podem danificar capacitores.
  • Desequilíbrio de tensão: quando as três fases não têm a mesma tensão. Motores alimentados com tensão desequilibrada aquecem mais e perdem vida útil.
  • Afundamentos e elevações de tensão: quedas ou subidas rápidas da tensão, de curta duração. São uma das causas mais comuns de máquinas e inversores que desarmam "do nada".
  • Flutuação de tensão: variações repetidas da tensão, que podem afetar equipamentos sensíveis e causar a cintilação da iluminação.
  • Baixo fator de potência: excesso de energia reativa circulando na instalação. Além de sobrecarregar cabos e transformadores, gera a cobrança de energia reativa excedente na fatura.

Quanto esses distúrbios custam para a empresa

O custo da má qualidade de energia raramente aparece em uma única linha do orçamento. Ele se espalha:

  • Manutenção corretiva mais frequente;
  • Queima e troca antecipada de motores, inversores, capacitores e placas eletrônicas;
  • Máquinas paradas por desligamentos inesperados, com perda de produção e retrabalho;
  • Perdas de energia por aquecimento de cabos e transformadores;
  • Cobranças na fatura, como a de energia reativa excedente.

Somados, esses custos costumam ser maiores do que parecem, justamente porque ninguém os soma.

Como é feita a medição

O estudo começa com a instalação de um analisador de qualidade de energia no ponto a ser avaliado, com a empresa funcionando normalmente. A medição dura 7 dias e reúne 1.008 leituras válidas, conforme os procedimentos do PRODIST Módulo 8, da ANEEL. Esse período cobre a rotina completa de uma semana, incluindo os horários de maior e menor carga.

Depois da medição, os dados são analisados e consolidados no laudo, que mostra os distúrbios encontrados, compara os resultados com as referências e indica as soluções.

A solução: filtros dimensionados para a sua instalação

Identificado o problema, a correção precisa ser dimensionada para a sua instalação, e não escolhida em catálogo. Dependendo dos distúrbios encontrados, a solução pode incluir:

  • Filtros de harmônicos, dimensionados a partir da medição, para limpar a forma de onda e proteger os equipamentos;
  • Banco de capacitores com reatores de dessintonia, que corrige o fator de potência sem amplificar os harmônicos existentes;
  • Ajustes na instalação, como redistribuição de cargas entre fases e adequações de proteção.

O dimensionamento correto é o que garante o resultado. Um filtro mal dimensionado pode não resolver o problema, ou até criar outro.

O ganho vai além da economia: menos manutenção, menos máquinas paradas, menos queima de equipamentos e mais segurança operacional e dos processos da empresa.

Sinais de que a sua empresa precisa de um laudo

  • Queima frequente de motores, inversores, capacitores ou placas eletrônicas;
  • Máquinas que desarmam sem causa aparente;
  • Transformadores, cabos ou painéis aquecendo além do normal;
  • Cobrança de energia reativa excedente na fatura;
  • Instalação de muitas cargas eletrônicas, como inversores de frequência;
  • Ampliação da planta ou entrada de máquinas novas.

Perguntas frequentes

A empresa precisa parar para fazer a medição?

Não. A medição é feita com a empresa funcionando normalmente, justamente para registrar o comportamento real da instalação.

Por que a medição dura 7 dias?

Porque a rotina de uma empresa muda ao longo da semana. Medir 7 dias, com 1.008 leituras válidas, conforme o PRODIST Módulo 8, garante que o laudo represente a operação completa, incluindo os momentos de maior e menor carga.

Instalar um banco de capacitores resolve qualquer problema de energia?

Não. O banco de capacitores corrige o fator de potência, mas, em instalações com harmônicos, um banco comum pode piorar a situação. Por isso a medição vem antes da solução.

Máquinas parando ou equipamentos queimando?

Fale com a AFB. Medimos a sua instalação, identificamos a causa e dimensionamos a solução.

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